Música do Acaso
Música do acaso é uma concepção que eu tenho de fazer música com duas ou mais pessoas sem que uma saiba o que a outra irá tocar. Esse tipo de música para mim em especial é importante pois treina a sensibilidade e a capacidade de expressar uma idéia que vem por acaso, sem premeditação nenhuma, sem diálogo prévio nem de harmonia, tema, ritmo ou estilo, nada.
Postarei aqui quatro vídeos de eu (à direita) tocando juntamente com o meu amigo Pablo Lauro (à esquerda) usando essa “técnica”. Note que o violão não é meu instrumento, fora que não me considero um instrumentista e sim um compositor, por favor, compreendam esse fato.
Uma música que eu achei que saiu com mais sentimento, quase sem parecer improviso é a primeira, chamada Tempo Nublado. Eu pessoalmente gostei do resultado tanto que eu tive que ouvir novamente, coisa que evito fazer.
A música seguinte saiu bem brasileira, porém ainda assim universal. Quando resolvi acelerar o solo o negócio ficou tenso, achei que iria sair da harmonia, sorte que não saí.
Esse nome se deu por ser nome dos bairros da cidade de Lins onde cada um de nós foi criado e também porque cada um fica em um canto, fazendo assim o nome abranger a toda a cidade, ultrapassando também o Brasil e o mundo todo.
Já a música Mesa de Sobremesa eu quis extrapolar mesmo, sem medo de mostrar o que sentia no momento como uma criança à beira de uma mesa de doces. O objetivo foi alcançado.
A ultima música na realidade foi a primeira que nós tocamos e o acaso não ajudou muito, menos ainda nossa precária técnica (principalmente de minha parte) no instrumento, mas ainda assim valeu à pena.
O Bruxo e a Pimenta
O YouTube chegou para mudar a forma de usar a Internet, através dele e de sites semelhantes podemos assistir e ouvir conteúdos os quais seriam difíceis ou impossíveis de encontrar. Um desses conteúdos nada mais é do que um encontro que muitos não imaginam que tenha ocorrido, o de Hermeto Pascoal e Elis Regina.
Elis é de longe mais conhecida no Brasil do que o Hermeto, seu talento musical para o canto é indiscutível. O que alavancou muito rapidamente seu sucesso são as parcerias, que é muito grandiosa tanto em quantidade quanto em qualidade, isso de tal forma que compositores mundialmente reconhecidos criavam canções especialmente para ela interpretar.
Com o seu gênio forte, Elis sempre citou o jazz de forma sarcástica e por vezes irônica, o que a meu ver demonstrava que era algo que gostava, mas tinha certo conceito sobre o estilo que não a atraia, talvez por ter ele como um estilo de pouca identidade brasileira. Isso são suposições, não sou nenhum profundo conhecedor de sua carreira.
O ambiente na ocasião era, nada mais nada menos, o lendário Montreux Jazz Festival e no mesmo dia estavam lá duas outras lendas, a maior cantora do Brasil junto com um dos maiores músicos de todos os tempos (para mim o maior). Essa mistura toda era uma substância instável prestes a explodir a qualquer momento.
Para Elis, o Festival de Jazz de Montreal era muito importante para impulsionar sua carreira internacional, mesmo ao titulo do festival ela não poderia deixar de se apresentar. Uma coisa importante a se destacar é que, apesar do nome, o festival não possuía apenas jazz, mas também outros estilos próximos com músicos de qualidade (não comparar com o Rock in Rio que coloca no palco Carlinhos Brown).
Com o pianista Cesar Camargo Mariano e mais alguns músicos excelentes ela resolveu encarar a empreitada e enfrentou mais essa, seu repertório não tinha novidades aos que conheciam seu trabalho.
O show aconteceu no palco do Cassino de Montreal em um show destinado a apresentar música brasileira, porém a noite não estava reservada a ela. Depois de ter gravado com Miles Davis (para quem não conhece, ele é considerado o maior jazzista de todos os tempos) o Hermeto vinha de bandeja e tudo para se apresentar naquela mesma noite.
A quantidade de pessoas que queriam assistir às apresentações estava muito além do esperado e a Elis topou a pedido da organização de fazer uma pré-apresentação, executando-a como um ensaio.
A noite chegou, e com ela uma legião de adeptos aguardando a apresentação. Começou com a apresentação de Hermeto Pascoal e Grupo que naquela noite fez a apresentação que muitos dizem que é a maior de todas de sua carreira, realmente não é nenhum exagero e enviarei futuramente um artigo sobre essa apresentação que resultou no álbum Montreux Jazz Ao Vivo.
Com a platéia extasiada com o que acabaram de assistir, meia hora depois começou a apresentação de Elis. Ela estava visivelmente tensa e incomodada, principalmente depois de ter assistido a apresentação vibrante e genial de Hermeto Pascoal e Grupo, competitiva como sempre foi muito provavelmente ela não queria ser ofuscada pelo Bruxo.
Quando se pôs a cantar, a Pimenta não demonstrou seu calor vibrante que geralmente exibia em suas interpretações, cantando com muita exatidão, sem surpresas. Aparentava não estar feliz por cantar ali naquele momento.
Essa sensação durou por toda a sua apresentação e isso incomodou não só a ela como também ao publico que começou a esfriar desde a apresentação anterior. Alguns inconvenientes aconteceram como pessoas chamando por Hermeto e outras se distraindo em meio a apresentação.
O que era para ser um show parecia um ensaio e o ensaio antes das apresentações teve muito mais magia do que acabava de ser exibido. Com certeza ali ela sentiu que havia perdido a batalha.
O Hermeto também assistiu a apresentação de Elis, aí o apresentador do show, Claude Nobs, o chamou de volta ao palco. Recebido pelo o público com intensa salva de palmas ele senta-se ao piano quando de forma inesperada a todos, Elis é chamada novamente ao palco.
Nesse momento Elis subiu ao palco evidentemente frustrada, sorrindo um sorriso forçado. Naquele local encontravam-se as lendas diante aos espectadores, nesse momento tudo poderia acontecer.
O duelo começou. A primeira música a ser tocada foi Corcovado e logo que o Hermeto começou a tocar para desespero dela o Hermeto começo a tocar a música de uma forma fora do convencional, em um ritmo dinâmico e usando os acordes de forma muito sofisticada, botando força nas dissonâncias fazendo com que certa forma parecer diferente da harmonia original.
Quando Elis percebeu isso deu uma bambeada e tentou não transparecer a tensão que havia naquele momento, no vídeo acima observe que apesar do comentário que ela fez ter sido em tom de brincadeira ficou claro que ela quis dizer: eu aceito o duelo. No decorrer da música ela não consegue se sobrepor ao piano do Hermeto, nessa ela realmente quase cai, mas no final das contas acaba sobrevivendo e a platéia não se segura de tanta emoção.
Muitos que não conhecem o não estão acostumados com músicos di naipe do Hermeto pensam que ele está tocando errado, desafinado ou no mínimo que os acordes não estão bem colocados, mas isso é música que não é para qualquer um tocar dessa forma, por isso muitos está acostumado ao modo Jobim de tocar. Quem não gostou sugiro ouvir Roberto & Big Band.
Puseram se a mais uma música, dessa vez Hermeto começou a tocar Garota de Ipanema, cometendo assim mais desconforta a ela, pois jurava que nunca mais iria cantar aquela música pelo resto de sua vida. Com isso Elis partiu ao ataque e com toda a sua genialidade conseguiu acompanhar melhor o Hermeto.
No vídeo acima note que o nervosismo não desapareceu, porém ela se saiu bem melhor. Provavelmente devido ao desgosto por essa música ela em certo momento avisou que iria cantar em Inglês e se pôs a imitar uma garotinha patricinha e o Hermeto pareceu a mim que não gostou muito. Mais uma vez o público coloca o cassino abaixo e o jogo está empatado.
Agora para finalizar tocaram a ultima música juntos, o clássico Asa Branca. Essa com certeza foi a melhor entre as três.
Infelizmente o vídeo não tem a introdução inteira, mas é o suficiente para emocionar qualquer um. Com toda certeza se houvessem ensaiado antes não ficaria tão bom, fortíssimo.
Nesse momento parecia que os dois estavam mais a vontade um com o outro, parece que deram uma relaxada, principalmente por parte da Elis. Nessas horas que eu só tiro uma conclusão: afinal, Deus existe.
Observe que tudo se encaixa perfeitamente mesmo com todas as dificuldades técnicas naquela interpretação tocaram com suas almas. Ainda para finalizar a Elis mudou a letra dizendo: “[...] Adeus Hermeto/Guarde contido/Todo meu coração”. Com toda sua genialidade, tendo a música como essência de sua existência o Hermeto simplesmente toca a felicidade, é realmente de arrepiar. Ponto para os dois.
Ao fim Elis comentou que adorou ter cantado com Hermeto e chegou a dizer ao seu pianista que era assim que ela gostaria que a acompanhasse.
Ela conversou com André Midani da Warner Music e o fez prometer que nunca iria publicar um álbum com as músicas que ela havia cantado em sua apresentação, sobretudo a que havia feito em seu show, mesmo que depois de sua morte. Esse poderia ser um álbum que ajudaria naquele momento em sua carreira internacional, porém mesmo sabendo disso ela optou por não publicar.
Ela faleceu e o juramento foi quebrado, o álbum foi lançado como Elis Regina Montreaux Jazz Festival.
É claro que essa coisa de duelo é ilustrativa e quem realmente ganhou somos nós que tivemos o privilégio de viver para ouvir a essa obra magistral.
Fonte: “Livreto que acompanha o álbum Elis Regina Montreaux Jazz Festival”.
Som Da Aura
Algumas coisas surgiram para mudar o rumo de minha vida, uma delas é a obra de Hermeto Pascoal, esse músico me fez ver a vida com outros olhos, ou melhor, me fez ouvi-la com outros ouvidos. Uma das coisas mais importantes que aprendi com ele é que tudo tem som, até nossa aura.
Calma, não virei místico nem exotérico. Eu sempre fui um apaixonado por música, mas desde que eu conheci o trabalho desse alagoano eu comecei a encarar a música como uma religião, literalmente.
O primeiro álbum ao qual tive contato chama-se Festa Dos Deuses e de cara fiquei encantado com o que eu ouvia, foi um impacto chocante. Apesar de todas elas serem surpreendentes, naquele momento havia quatro que realmente era diferente de tudo o que eu havia ouvido antes, estas músicas são: “Pensamento Positivo”, “Aula de Natação”, “Três Coisas” e “Quando as Aves Se Encontram, Nasce O Som”.
Logo que saí de casa, peguei um computador no laboratório da faculdade e fiquei o dia todo pesquisando sobre essas músicas e descobri que o Hermeto as chama de Som Da Aura, que para ele, o Som Da Aura é a vibração sonora da alma de cada um, refletida pela sua fala, que faz a ligação entre mente e corpo. É possível fazer o som da aura também dos animais e dos objetos, abaixo um vídeo que demonstra esse tipo de música.
Eu sempre fui uma pessoa que ouvia música em muita coisa, mas nunca tinha sentido a fala humana como algo melódico, ao menos até eu ouvir essas músicas. E não é exagero, todo o som possui uma freqüência que em quase todos os casos podemos associar com as freqüências de cada nota musical na escala cromática, a partir do momento em que você assimila essas notas soadas como se dentro de um.
Acontece que com essa nova perspectiva eu comecei a prestar atenção nas notas das falas das pessoas (sim, tenho de certa forma ouvido absoluto, mas qualquer dia eu falo sobre isso) e depois de pouco tempo eu não parei mais de ouvir vocalizes involuntários, e não bastando isso comecei a ouvir mais ainda outros sons como música, comecei a ficar preocupado.
Ok, dá a impressão de que estou ficando louco, até eu no começo achei isso, mas na realidade só comecei a encarar a vida de outra maneira, o que não me torna uma pessoa com problemas psicológicos. De fato quando as pessoas me ouvem falar sobre isso olham para mim em um primeiro momento como se eu fosse um leproso, mas depois que eu explico melhor e mostro exemplos práticos aí geralmente entendem, algumas até confidenciam que por vezes já tiveram essa sensação (de ouvir música onde a maioria não ouve), principalmente quem é do meio da música.
O processo de criação é relativamente simples, basta pegar alguma gravação e tocar cada nota que é soada naturalmente. Claro que essa tarefa é difícil, e se torna mais difícil para construir a harmonia, confira um vídeo do Hermeto criando uma música dessas.
Em qualquer dia postarei duas músicas que eu fiz para vozes de pessoas, preciso ainda de juntar as trilhas, mas assim que eu tiver um tempo eu as postarei aqui.
Realmente se há alguém que possa representar a música, esse alguém é o Campeão.
Só Para Baixinhos
Todos estão cansados de saber que no Brasil quase sempre o que faz sucesso é o que possui nenhuma qualidade musical. Mas será que essa afirmação é justa quando estamos tratando de músicas para crianças?
Há um tempo não muito distante em que era fácil fazer sucesso com a criançada, o primeiro quesito era ser mulher, o segundo bonita (não vou discutir padrões de beleza aqui) e em terceiro lugar ser loira (não necessariamente natural), e pronto, estava aí uma formula mágica para o sucesso. E não necessitava nem ter carisma, bastava falar com as crianças como se esse período da vida fosse um período de demência profunda.
O tempo passou e ingredientes foram adicionados a essa fórmula como crianças-prodígio filho de pais com complexo de inferioridade que gostava que representassem esse ideal de demência temporal. Há ainda ex-dançarinas de axé/pagode/sertanejo nisso, mas em doses homeopáticas.
Observe que nas fórmulas supracitadas há um ingrediente faltando, você reparou? Sim, falta à boa e velha qualidade musical, seja vocal ou instrumental. Mas aí eu refaço a pergunta: será que as crianças entendem ou gostam de músicas mais sofisticadas.
A resposta para essa pergunta eu infelizmente não tenho, eu só tenho 21 anos (na data dessa publicação) e minha experiência com gurizada limita-se a minha época de infância, ao meu irmão mais novo e a meus primos mais novos, mas ainda assim vou arriscar que a resposta é sim, as crianças gostam de música de qualidade.
Como já dizia o Hermeto, “musica sem preconceito é música de direito”, quer dizer, todos nós, incluindo as crianças, temos o direito de conhecer o mundo por inteiro, se aventurar por inteiro. Claro que para tudo quando se trata de crianças temos que ser delicados, assim como elas são, principalmente quando a música tem letra, porém delicadeza nunca foi sinônimo de demência.
Eu nunca entendi o porquê das músicas populares destinadas às crianças sempre têm que ser 4/4 (quatro por quatro), não que músicas nessa estrutura rítmica sejam menos sofisticadas, mas sempre se limitam a isso. Alguns dizem que é dessa forma por ser mais fácil de notar as divisões rítmicas com essa métrica, mas e as músicas 3/4 (como valsas) também não são fortemente marcadas e de fácil compreensão?
Outra coisa só o fato de nunca haverem acordes dissonantes, será que isso assusta crianças? Meu irmão de 9 anos adora o acorde um Am9, ele fala que parece que está cantando (acho que ele quer dizer sobre sentir a dissonância vibrando), isso por que ele não estuda nada de música, e só para deixar claro o forço a gostar de nada.
Os psicólogos garantem que crianças gostam de ouvir crianças, isso eu imagino que realmente seja verdade, mas não vejo como justificativa pra colocar qualquer molecada com problemas de dicção para cantar. Não estou sendo frio, mas para cantar é preciso ter voz, pois serão não presta, seria o mesmo que escutar um exímio flautista tocando se instrumento quebrado ao meio (ainda assim acho que é melhor de se ouvir).
Outra coisa importante é o grande erro que os produtores musicais (incompetentes) de associar dança com música. É claro que as suas coisas formam um par perfeito, mas o fato de alguém ser bom em uma coisa não a faz automaticamente bom em outra coisa, principalmente quando se trata de crianças.
O que me preocupa mais são os efeitos em longo prazo. Para mim esse tratamento com as crianças como se tivessem deficiências intelectuais é altamente prejudicial à sua formação, artística, intelectual e social, eu sei que isso nunca vai mudar, mas sei que podemos salvar alguns de serem homens-vegetal. Isso sem falar em crianças que recebem uma fama desproporcional ao que merece é depois passa a vida toda tentando sustentar novamente uma farsa.
Para que o texto não fique muito longo futuramente voltarei ao assunto mostrando que nem tudo esta e esteve perdido. Será? Bom, para finalizar, um vídeo de profissionais adultos que cresceram cercado de influências mercadológicas, o clássico comercial da Dolly especial de páscoa.
Star Trip
Muita gente torce o nariz quando o assunto é música eletrônica, mas ela está entre nós, não adianta negar. Por isso antes de julgar é preciso conhecer.
Antes eu gostaria de ressaltar que música eletrônica não é igual à Psy, esse apesar de ser o estilo mais conhecido entre a garotada não é o único.
A Wikipédia descreve música eletrônica como “toda música que é criada ou modificada através do uso de equipamentos e instrumentos eletrônicos”. Existem diversas músicas que se encaixa no conceito do que é música eletrônica abrangendo o mundo popular, erudito e experimental que muita gente julga não ser por não ouvir em baladas (aka raves) ou por não soar como algo da categoria.
Uma das primeiras músicas eletrônicas com grande vendagem que foi exposta ao público chama-se On The Run do álbum The Dark Side Of The Moon dos Pink Floyd, o quinto mais vendido no mundo! Para quem não conhece Pink Floyd trata-se de uma banda de estilo denominado como rock progressivo, e essa música em questão poderia ser colocara em qualquer festa que em minha opinião ninguém iria se queixar.
Outro estilo mais intelectualizado da música eletrônica é a chamada música eletroacústica, onde no Brasil temos um gênio nesse estilo, o maestro Jorge Antunes que é nada mais nada menos do que a pessoa que criou a primeira música eletrônica feita por um brasileiro que é a Valsa Sideral. Qualquer dia desses eu escreverei mais artigos com ele em foco, mas quem querer pesquisar sobre ele na Internet já aviso que não é música para qualquer ouvido.
Agora voltando às músicas tocadas em baladas o maior motivo dos músicos de outros estilos mais “sofisticados” terem certo preconceito é por que o maior trabalho em sua produção fica a cargo do computador, onde os softwares fariam a maior parte do trabalho. Em partes isso não deixa de ser verdade, porem o computador obviamente não faz tudo, por traz há uma pessoa que o manipula de forma com que possa expressar sua arte.
Outro argumento de critica é que os disk jockeys nem sempre são músicos (por formação ou por conhecimento autodidata), e sim apenas uma pessoa que aprendeu a usar uma mesa de som (pick-up) e programas de computador, pessoa que não tem nenhuma noção do mínimo de teoria musical. Nesse ponto eu devo concordar que isso é realmente verdade na maior parte dos casos, porém essa maior parte não são todos e os melhores pelo o que ouço por aí provavelmente não está nesse grupo.
Um exemplo que um músico eletrônico que apesar de ter apenas o mínimo de conhecimento de teoria musical fez muito sucesso no mundo todo tendo até suas músicas executadas por orquestras sinfônicas é o Vangelis. Ele criou dezenas de trilhas sonoras para filmes famosos e certamente você já ouviu alguma de suas músicas.
No caso do Vangelis, mesmo não sabendo por muito tempo ler partitura era ele mesmo quem fazia toda a harmonia e melodia com uma criatividade enorme e surpreendente. É exatamente nesse quesito que eu sinto falta na música eletrônica, sobretudo a nacional, a grande falta de criatividade.
Por mais que as máquinas hoje façam tudo pelo homem, elas não são criativas, é por esse critério por onde eu considero um bom de um mau deejay. Apesar de eu não ser um fã absoluto de trabalhos feitos por esses profissionais eu por muitas vezes me surpreendo com a qualidade de alguns, não só quanto à criatividade, mas também com a musicalidade que esses possuem.
Claro que a criatividade não é tudo, uma base de musicalidade é necessária para que não haja só músicas monolíticas e microtonais como é freqüente no caso de músicas tocadas em festas.
Certa vez um amigo de faculdade, o Naudy, me apresentou músicas que eu gostei de verdade, músicas essas que era bem diferente das que eu já tinha ouvido por aí. Nesse momento eu percebi que a música eletrônica “popular” atual sofre o mesmo problema das demais, tem mais fama (em quantidade) aquele que se adéqua ao mercado que faz com que as pessoas engulam qualquer coisa.
Aproveito para divulgar uma festa que ele está organizando chamada Star Trip que pode ser conferida no site http://www.startripfestival.com.br. Devo dizer que eu não conheço os DJ que irão fazer a rave, mas se condizer com seu bom-gosto certamente será de alto nível. A festa será realizada no dia 14/11/2009.
Hoje com o advento da Internet as pessoas estão mais seletivas, não precisam mais engolir goela abaixo o que o mercado força a digerir e acredito que cada vez mais os verdadeiros “músicos eletrônicos”, independente do estilo e do público, vão começar a ter o seu trabalho reconhecido.
Poré Poré
A origem do nome desse blog é de uma música do Hermeto Pascoal homônima que foi gravada com o nome de Renan no álbum Mundo Verde Esperança. Com certeza eu escreverei muito conteúdo sobre esse músico fantástico que mudou minha forma de encarar a vida.
Nesse blog irei concentrar minhas idéias momentâneas para compartilhar o que penso com outras pessoas e também para alimentar meu ego.
Postarei alguns comentários sobre vídeos e músicas acessíveis pela Internet e outros conteúdos com ligações aos meus projetos pessoais. Talvez eu publique algumas imagens que faço também.
Atente-se que esse não é um blog temático, apesar de eu ter como objetivo inicial me concentrar sobre música e afins.
Para concluir deixo aí um vídeo do youtube com a música Poré Poré interpretada por Hermeto Pascoal e Grupo. Aumente o som e boa viagem.
